Workshop técnico apoiado pelo WWP estimulou a troca de experiências em estudos longitudinais voltados para a análise de políticas sociais
BRASÍLIA, 14 de março de 2016 – Estudos de dados em painel são pesquisas capazes de mostrar a evolução de indicadores (pobreza, por exemplo) ao longo do tempo, servindo de insumo para análises de políticas sociais. “Estudos longitudinais podem nos contar a história de vida das pessoas em um dado momento ou ao longo do tempo, mostrando como indivíduos e famílias mudam, e podem fornecer uma compreensão da mudança social”, explica Glenda Mezarobba, diretora de Cooperação Institucional do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
De olho nisso, especialistas do Reino Unido se reuniram com pesquisadores de universidades brasileiras e de instituições de pesquisa para compartilhar mais de 40 anos de experiência na coleta de dados e na elaboração desse tipo de pesquisa. O encontro ocorreu nos dias 7 e 8 de março, em Brasília, e reuniu 30 especialistas de áreas relacionadas a pesquisa, políticas públicas e desenvolvimento.
Especialistas em estudos longitudinais do Brasil e do Reino Unido participaram de oficina técnica para trocar experiências e conhecimentos. Foto: Marianna Rios/WWP

Especialistas em estudos longitudinais do Brasil e do Reino Unido participaram de oficina técnica para trocar experiências e conhecimentos. Foto: Marianna Rios/WWP

A oficina técnica Longitudinal Studies and its Applications in Social Policy foi uma oportunidade para as equipes compartilharem experiências, explorarem fontes de dados e identificarem possíveis áreas de colaboração e de pesquisas interdisciplinares.

Nos dois dias de evento, os especialistas participaram de palestras de instituições nacionais convidadas – como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE), a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal da Bahia (UFBA), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)  e a Funcação Oswaldo Cruz (FioCruz) – e internacionais, como a Universidade de Oxford e o Cohort & Longitudinal Studies Enhancement Resources (CLOSER).
As apresentações mostraram inovações na área, como novas tecnologias que estão sendo incorporadas para aprimorar a coleta de dados, e versaram sobre temas desafiadores, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a mensuração de pobreza multidimensional.
“Esta conferência é realmente importante para determinar resultados em ciências sociais, saúde, educação e programas – tanto para os colegas do Brasil, quanto para os colegas do Reino Unido, que poderão levar de volta esse conhecimento”, destacou Wasim Mir, vice-chefe da delegação da Embaixada Britânica em Brasília.
O secretário nacional de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Paulo Jannuzzi, comentou os esforços do Brasil para produzir informações úteis às políticas sociais. “Nos últimos 13 anos, o ministério tem investido na produção de informação para melhorar as nossas políticas públicas e este seminário é uma oportunidade de aprimorar a nossa forma de produzir dados.”
O evento foi organizado pela Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação (Sagi), do MDS, e pelo Economic & Social Research Council (ESRC), contou com o apoio do CNPq e do Fundo Newton, e com a parceria do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da Iniciativa Brasileira de Aprendizagem por um Mundo sem Pobreza (WWP).
Marianna Rios, WWP